| Escrito por Rabino Marcelo M. Guimarães | |
Em todos os meus livros tenho repetido, propositalmente, sobre a história da Igreja, mostrando o seu gradativo distanciamento da Igreja do Primeiro Século e do Judaísmo Messiânico. O grande desafio no momento, creio, é tentar restaurar a Igreja do primeiro século, procurando saber como ela era, como ela funcionava, onde se reuniam, o que pregavam e como viviam Yeshua, seus apóstolos e seus discípulos. Além disso, qual era a relação deles para com a Torá e com os Profetas? Eu, pessoalmente, creio que a Igreja está entrando no último período de sua história. Primeiro, tivemos a autêntica Igreja do primeiro século; depois esta mudou-se para Roma e passou a ser dirigida de lá a partir do século IV. A partir do século XVI tivemos a Reforma Protestante e agora, creio que muitos entrarão para a fase da Restauração de todas as coisas conforme dito em Atos 3:19-21: ...”Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor, e envie ele o Cristo, que já dantes vos foi indicado, Jesus, ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as cosias, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio.” Se tirarmos uma “foto”espiritual da Igreja Cristã atual (considerando todos aqueles crentes em Jesus e que passaram pela experiência do “novo nascimento” no Espírito) descobriremos muitos e muitos pontos que necessitam ser repensados se tomarmos à Igreja deixada por Yeshua e seus discípulos como modelo a ser seguido. A Igreja de Yeshua, vivia no contexto judaico da época, fiel aos princípios da Torá ou de toda a Tanach (Antigo Testamento), quando Paulo afirmou em sua carta a Timóteo que : ...”toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.” ( II Tim 3:16-17). Na época que Paulo escreveu este texto, obviamente, não existia ainda o que conhecemos de Novo Testamento, composto pelos quatro evangelhos, outras cartas do próprio Paulo, João, Pedro, Tiago e outros. Quando Paulo diz “Escrituras” com absoluta certeza ele estava se referindo à Tanach judaica. Yeshua era e continua sendo judeu. As Escrituras são 100% judaicas e foram escritas segundo contexto do pensamento judaico, tendo como base a santa Torá, conjunto de livros escritos pelo próprio Deus através de Moisés. Os profetas seguiram essas mesmas instruções (Torá significa “instrução, Palavra de ensino de Deus”). Yeshua e seus discípulos viveram também dentro deste padrão de fé e revelação. Não tenho aqui nenhum propósito de chocar meus irmãos da fé e tão pouco trazer confusão com doutrinas novas. Absolutamente, não!. Apesar de eu não ver a Igreja atual vivendo integralmente nos moldes do primeiro século, a vejo cumprindo sua missão de levar as Boas Novas às nações, segundo o “ide”de Yeshua, salvando milhares e milhares de vidas por meio da fé em Yeshua, nosso único caminho para a salvação e a vida eterna. Portanto, vejo a Igreja Cristã como bênção e me sinto para deste Corpo. Mas, como amor, carinho e respeito, gostaria de levantar alguns questionamentos históricos da Igreja da Reforma (incluindo aqui suas inúmeras ramificações e denominações) em relação à Igreja Cristã a partir do século IV da qual esta se separou. Os Evangélicos em geral, sentem-se muito confortados pela abençoada Reforma, da qual se desligaram há mais de 4 séculos do sistema da Igreja de Roma, mas será que nada precisa ser mudado em relação a este estado de “conforto”? Sabemos que uma coisa é ser livre e a outra é ser liberto. São dois processos diferentes que deveriam andar sempre juntos, mas às vezes, não acontecem na prática. Que a Igreja da Reforma saiu de Roma e aparentemente do seu sistema, sabemos que é verdadeiro. Mas, como ela está em relação à autoridade de sua antecessora? Analisemos alguns pontos, por exemplos: ( antes porém, deixo claro que respeitamos todos os católicos crentes no Senhor Jesus Cristo e que, quando citarmos abaixo o termo “Igreja Católica ou a Igreja Cristã a partir do IV século” estamos nos referindo à uma instituição e não a indivíduos). 1. A Igreja Cristã a partir do século IV reconhece que mudaram o dia do Senhor de sábado para o domingo por meio de muitos Concílios como o de Laodicéia ( ano 336d.C.) após o Imperador Constantino ter pedido a “Venerablis Die Solis” ( O venerável Dia do Sol). Vários líderes da Igreja trabalharam a favor desta mudança como Graciano, Valentiniano, Teodósio e outros no século IV. Muitos outros textos oficiais foram publicados nesse período. Finalmente no ano 590 d.C. o Papa Gregório solidifica para sempre o domingo como o “dia” do Senhor. São inúmeros textos bíblicos que mostram a Igreja do Primeiro século celebrando o Sábado (Shabat). Qual tem sido a opção da Igreja da Reforma em relação a este ponto? 2. A Igreja Cristã a partir do século IV desvinculou-se do calendário litúrgico judaico para impor seu próprio calendário. Ela se diz neste direito e não temos o que discutir. Mas, cabe a nós a decisão de segui-lo ou não. Por exemplo, os evangélicos celebram o mesmo domingo da ressurreição definido por Roma. O fato em si não é nem um pouco relevante, em minha opinião. Mas, o que estou propondo a discussão é sobre o princípio de autoridade que foi estabelecido. Para mim, a Bíblia deve ser o nosso padrão de fé e conduta; A Bíblia também não reconhece o calendário Gregoriano (sistema solar). Não estou aqui propondo a mudança de nosso calendário civil, mas simplesmente, mostrando, historicamente, como as coisas vão se distanciando dos princípios bíblicos; 3. A Igreja Católica nunca negou que o Natal foi de sua autoria. Fixou o dia 24 de dezembro como o dia do nascimento de Cristo. Neste dia os romanos celebravam também o “Natalis invicti Solis” (O nascimento do sol vitorioso). Qual tem sido a postura da Igreja da Reforma quanto a este decreto? 4. A Igreja Católica a partir do século IV diz que a ela foi entregue as “Chaves do Reino”, quando nomearam Pedro como seu primeiro Papa. Ela, então, define o que é bíblico e o que não é bíblico, o verdadeiro do não verdadeiro, pois se vale desta autoridade por tradição que ela delegou a si mesma para definir os princípios da fé cristã. Assim, a partir do século IV ela decreta que é a substituta de Israel e do povo judeu. Ou seja, os judeus messiânicos (crentes) deveriam se converter ao catolicismo a partir daquela data para serem salvos e deveriam deixar de ser judeus. A Igreja de Constantinopla publicou sua profissão de fé pela qual todo judeu deveria renunciar a seus costumes, ritos, festas bíblicas, língua, orações, etc., além de exigir juramento do judeu converso o qual seria anátema caso um dia ele voltasse a ser judeu. Qual tem sido a posição da Igreja da Reforma quanto a este item? Por acaso ela reconhece o chamado irrevogável de Deus quanto ao seu povo escolhido? Ou ela também se sente como substituta de Israel sob a dispensação da graça? 5. A Igreja de Roma através do Concílio de Antioquia proibiu os cristãos de celebrarem a primeira festa do calendário, ou seja, a Páscoa. Pois assim, as demais festas cujas as datas se contam após a páscoa estariam indiretamente também canceladas. A Igreja da Reforma não entendeu na plenitude o real sentido messiânico das festas bíblicas e as têm ignorado, atribuindo-as somente ao judaísmo tradicional; 6. A Igreja Católica definiu o que é graça e a separou por completa das leis da Torá. Como a Igreja da Reforma se posiciona quanto aos conceitos e princípios das leis em relação à vida de um crente em Jesus? Poderia esse crente se beneficiar dos aspectos qualitativos da lei? Ou a dispensação da graça anula estes princípios? Vemos que para este ponto há um grande abismo quanto ao entendimento do que vem ser a lei sob a forma de mandamentos, estatutos e ordenanças. Alguma coisa é capitada como por exemplo o estatuto judaico do dízimo. Mas, e quanto às outras leis judaicas? Elas foram anuladas pela graça e não podem abençoar a vida de um crente? Encontramos na Torá centenas e centenas de leis que abençoam a quem nelas crê e a quem as pratica. Estas leis não só abençoam os crentes em Jesus como também a humanidade. Por exemplo, se um ateu honra seu pai e sua mãe, ele recebe os benefícios dessa lei. E por que a Igreja da Reforma tem ignorado as leis da santa Torá? (Há leis, evidentemente, que são válidas só para o povo judeu, mas são muito e muito poucas). 7. Marcião ajudou a compilar o que ele denominou de Novo Testamento. Depois ele definiu que a Tanach seria chamada de “Velho Testamento”, ou seja, livro só para os judeus e que o Novo Testamento é o conjunto de livros para os cristãos. Também a Igreja Católica definiu a cronologia dos livros da bíblia independente da tradição e do pensamento judaico. Hoje a bíblia adotada pela Igreja da Reforma tem também em suas capas a terminologia “Velho e Novo Testamentos”. Sim, isto não é importante, mas sim o conteúdo da Palavra. No entanto, são pequenos detalhes que fazem muita diferença. Quanto crentes que hoje não se sentem a vontade em praticar e conhecer leis do “Antigo Testamento”? Muitos pensam que esta parte da bíblia está ultrapassada, velha, antiquada e que tais leis e princípios só se aplicam para os judeus; 8. A Igreja Católica definiu normas e doutrinas diversas, entre elas sobre as ordenanças da Ceia do Senhor e do Batismo. Quantas diferenças há entre nós sobres tais temas? Mas, o que diz a Bíblia? Por exemplo, a Igreja do primeiro século batizava em nome de Yeshua. É o que nos mostra a bíblia, pois é na semelhança de Sua morte e de Sua ressurreição é que devemos ser batizados, nos tornando filhos de Deus, não vivendo mais sobre a prática de pecados.; 9. A Igreja Católica valando-se da língua latina traduziu muitos nomes dos profetas e do próprio Yeshua para outros nomes que não trazem em si sua interpretação original. Por exemplo, Jesus, que no latim é “Iesus” foi a transliteração do termo grego “Iesous” que por sua vez é a transliteração da palavra hebraica “Yeshua” que quer dizer “Deus é salvação”, nome este que consta tanto no AT como no NT; 10. A Igreja de Roma não deu importância a língua hebraica. Com isto, perdeu-se muito do contexto judaico das Escrituras. Por exemplo, poucos cristãos sabem o que significa o acróstico AMÉM ou o termo “Barach” que significa abençoar. No sentido hebraico “barach” significa conceder a alguém poder para que este que recebe a benção seja bem sucedido e próspero. Qual tem sido o contexto no qual a Igreja da Reforma se baseia para interpretar as Escrituras? A cultura ocidental, sobretudo a helenística, ainda se faz muito presente no meio da Igreja da Reforma; 11. A Igreja Católica afirma ser a fiel depositária da Palavra da fé. A bíblia afirma que ao povo judeu foram confiados os oráculos de Deus. Afinal, e a Igreja da Reforma, não tem se posicionado de modo semelhante? 12. Quanto ao relacionamento Igreja e Israel, os cristãos têm praticamente a mesma postura de indiferença quanto ao povo judeu. Conceito que os judeus foram os assassinos de Deus (deicídio) tão difundido na Igreja Católica nos primórdios de sua fundação ainda encontra espaço no meio da Igreja da Reforma. O amor a Israel, o comprometimento com sua salvação e bem como os investimentos feitos nos últimos séculos têm sido insignificantes se levarmos em conta os textos bíblicos que solicitam à igreja a interceder constantemente pela a salvação do povo judeu, bem como até ajudar os santos (judeus messiânicos) de Jerusalém com bens materiais. Estes itens foram muito bem lembrados aos gentios crentes pelo apóstolo Paulo.Mas, a Igreja Cristã em geral não tem se preocupado com esta ordenança. Quando muito, envia para Israel missionários despreparados quanto à cultura e ao contexto judaico das Escrituras. Chegando lá, eles querem converter judeus em cristãos, não alertando a esses que preservem sua identidade judaica. Se todo judeu se tornar cristão gentio, quem cumprirá as profecias específicas dadas ao povo judeu e à terra de Israel para que Yeshua volte? Poderíamos ainda citar mais e mais tópicos sobre a necessidade da Restauração nos moldes do Primeiro Século da Igreja. A reconciliação da Igreja e Israel fazem-se extremamente necessária nos dias atuais. Israel precisa ser salvo para que Yeshua volte para lá. Ele, o Messias não voltará para implantar o Seu Reino em Nova York, ou em Paris ou mesmo em qualquer outra cidade do mundo. Ele voltará, cremos em breve, para Jerusalém, conforme nos diz e confirma a Palavra em que cremos. Finalmente, não citei as referências bíblicas por uma questão de apresentação das inúmeras citações, que fora de um contexto da Midrash Judaica ou da Hermenêutica poderiam ser mal interpretados. Mas, em meus livros, “Trazendo a Igreja de volta às suas Raízes Bíblicas e Judaicas”; “A Pessoa do Messias nas Festas Bíblicas; “Investindo agora e Lucrando Sempre”; “Temas Judaicos Messiânicos, além dos comentários dos livros da Torá, todos estes tópicos abordados neste artigo e fatos podem ser bem analisados à luz da Palavra Viva de D’us. Meu intuito não é dividir mais a Igreja Cristã escrevendo este artigo. Pelo contrário, meu desejo de coração é a nossa unidade. Não se trata de ajuntar todas as denominações cristãs também numa só, não! Mas, aquilo que nos une (o sangue do Cordeiro Yeshua, sua salvação e vida eterna) deveria falar mais alto que nossas diferenças. Mas, se todos nós voltarmos para os princípios vividos e praticados pela Igreja do Primeiro século, com certeza, nossas diferenças seriam menores e estaríamos mais próximos uns dos outros, amando-nos, fraternalmente. Afinal, o apóstolo João nos escreve para sermos um, assim com Ele o Pai são um e que o mundo creia que Ele, o Messias, foi enviado por parte de Deus. O Noivo espera ver sua “Noiva” num só Corpo e numa só família, judeus e gentios crentes. É tempo de restaurar. É tempo de voltar às nossas raízes. É tempo de reconciliar e declarar nossa unidade e as Boas Novas até aos confins da Terra (não esqueçam que Israel faz parte primordial deste “confins” da terra) para que nosso Messias venha em glória estabelecer o Seu Reino Milenar.Maran Ata ! Seja breve sua Vinda, Senhor Yeshua Há Maschiach! (*) Marcelo M. Guimarães - Engenheiro Industrial, MBA em Economia, Teólogo, Rabino Messiânico ordenado pelo Netivyah Bible Instruction Ministry-Jerusalém-Israel. Fundador do Ministério Ensinando de Sião, do Cates, da Abradjin e da Congregação Har Tzion em Belo Horizonte-Brasil. © - Copyright - Ministério Ensinando de SiãoPermitida a cópia desde que citado o endereço do site e o nome do autor. |
Shemá Israel
Ouve, ó Israel, o ETERNO nosso ELOHIM é UM!
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sábado, 5 de fevereiro de 2011
A IGREJA CRISTÃ RUMO À IGREJA DO PRIMEIRO SÉCULO
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Sequência dos Videos da Parashá Mishpatim
O estudo em video dessa Parashá foi dividido em 8 partes. Para uma melhor didática desse importante estudo, segue aqui abaixo, a sequência dos links para facilitar e simplificar o seu entendimento:
Parte 1: O link já está disponível acima
Que o Eterno D'us de Israel te abençoe no estudo e compreensão da sua Santa Torá.
Shalom
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Estratégias Judaico-Messiânicas
Shalom Aleichem
Gostaria de compartilhar com vocês alguns aspectos da nossa fé Messiânica. O objetivo é que vocês conheçam nossos pensamentos, estratégias e formas de “ver” e interpretar o mundo à nossa volta.
Um dos nossos principais objetivos é revelar o Messias Yeshua ao povo de Israel.
Mas quero deixar claro aqui, que não somos missionários para forçar judeus a uma “conversão cristã”. Estamos muito longe disso e, na medida do razoável, condenamos esta prática e não apoiamos grupos que fazem uso dela, como os “Jews for Jesus” (Judeus para Jesus).
Acreditamos que um judeu é sempre um judeu, e assim, o simples fato dele reconhecer e aceitar o testemunho de Yeshua como o Messias de Israel, não significa em hipótese alguma que ele deva mudar de religião ou converter-se a uma igreja cristã.
E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmãos, quantos milhares de judeus há que crêem, e todos são zeladores da TORÁ. (Atos 21:20).
O nosso desafio em revelar o Messias Yeshua ao povo judeu é através de uma vida 100% dentro dos propósitos e preceitos judaicos, mostrando que não somos “cristãos”, continuamos a ser judeus e dentro do Judaísmo.
A maioria dos judeus tem a ideia que, ao aceitar o testemunho de Yeshua, ele vai ter que passar por uma conversão e se filiar a uma instituição cristã, sendo “convidado” a renunciar ao seu Judaísmo. Pesa também o fato de o judeu associar o “cristianismo”, seja católico romano ou mesmo protestante, com a idolatria!
O Messiânico (judeu + não judeu) tem o firme compromisso com o estudo, a obediência e o cumprimento da Torah, e ainda, com a aliança de Abraão e a aliança da graça em Yeshua. Ao contrário da igreja cristã que aceita apenas a Aliança da Graça ou do Novo Testamento.
Temos o compromisso de anunciar a salvação do Eterno a todos os povos, a qual está fundamentada no sacrifício perfeito do Seu Filho, Yeshua Ha Mashiach.
Yeshua é o “Korban” (oferta pelo pecado) do Eterno, o Cordeiro de D'us, que ofereceu o seu corpo voluntariamente como sacrifício a fim de salvar Israel e, também, pessoas de todas as nações que venham a aceitar o seu testemunho, sendo assim enxertadas na comunidade de Israel, tendo os mesmos direitos (às bençãos bíblicas) e aos mesmo deveres e obrigação desse povo (Torá).
Pode um não judeu participar de uma Congregação/Sinagoga Judaico-Messiânica?
Sim. Nas comunidades messiânicas, os membros “não judeus” vão ser ensinados a respeitar e a observar a Torá do Eterno. Vão ter a oportunidade de estabelecer os preceitos (mitzvot) como referencial do que é certo e do que é errado.
Mesmo as leis que podem soar característicamente “judaicas”, deverão ser respeitadas pelos não judeus, pois foram estabelecidas pelo Eterno e o próprio Messias Yeshua disse que jamais seriam revogadas ou destruídas (Mateus 5:17-19).
“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.
Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.”
Contudo a aplicação das Mitzvot não tem a função de “salvação” nem para judeu, nem para não judeu. Mas porque então devemos observar essas leis?
Os Messiânicos aplicam a Torá para trazer qualidade de vida espiritual, consagração e santificação!
O Judaísmo está alicerçado na ideia de que, uma pessoa que vive cercado e protegido pela Torá, também está se protegendo e se afastando de uma vida de pecado.
Cremos que quanto mais Mitzvot da Torá nós colocarmos em nosso coração e em nossas vidas, mais afastados estaremos do pecado que gera maldição, e mais próximos estaremos das bençãos e promessas do Eterno para nossas vidas.
Da mesma forma também cremos que quanto mais uma pessoa se distancia da Torá e deus preceitos, inevitávelmente, mais próxima e mais vulnerável esta pessoa ficará do pecado e de forças que governam este século!
A aplicação dessas leis contudo não são impostas como obrigação para os Messiânicos. A recomendação é que eles apliquem as Mitzvot a fim de terem uma vida espiritual mais consistente e substancial. Tudo na medida em que forem tomando conhecimento e amadurecendo no seu estudo e entendimento da Torá do Eterno.
Mas a Graça anulou a Lei?
Não. E, para que não haja dúvida, vale a pena esclarecer que, embora a lei e a graça tenham funções distintas, elas interagem, e assim o conceito de que a graça anulou a lei é completamente equivocado e contrário ao ensinamento do Messias Yeshua e a própria Bíblia como um todo.
Embora a salvação brote pela manifestação da graça e da misericórdia de D'us, representados pela morte de Yeshua, é a lei (Torá) que nos concede qualidade de vida, proporcionando-nos muitos livramentos e nos ensinando a andar de forma correta na presença do Eterno.
Como disse o “Rabino Shaul” (é a forma como os Judeus Messiânicos se referem ao Apóstolo Paulo da cristandade): Somos salvos pela graça, por meio da fé (atitude de entrega a D'us, que é acompanhada por um sentimento de profundo arrependimento), para as boas obras (obediência aos mandamentos e a direção do espírito de D'us em nossas vidas) (leia Efésios 2:8-10).
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”
Em outras palavras, a salvação nos é dada pela graça e, após esta experiência, somos capacitados espiritualmente a termos um padrão bem mais próximo ao requerido pelo Eterno.
Yeshua foi provado e alcançou a aprovação por meio da sua obediência à Torá, correspondendo a expectativa do Eterno ao se sujeitar à Sua vontade, entregando a sua vida como um sacrifício perfeito, para depois retomá-la e se tornar o Senhor da criação, por delegação do Eterno.
O próprio Eterno D’us, o Todo Poderoso, testificou do Messias, dizendo:
“E, veja! Um som vindo dos céus disse: Este é o Meu Filho querido em quem tenho o prazer de ouvir” (Mateus 17:5 – tradução literal)
“Sim, Ele (o Eterno) proclamou: Pouco é seres o Meu servo para reerguer as tribos de Jacó, e restaurar os remanescentes (os que foram preservados) de Israel. Também te estabeleci como luz para as nações, para seres (para que através de ti) a Minha salvação até as extremidades da terra” (Isaías 49:6).
Deste modo concluímos, que espera-se de nós após a experiência da salvação, um esforço consciente para obedecer a inclinação do espírito de D’us em nós, que inevitavelmente nos guiará a vivermos segundo os princípios estabelecidos na Torá, como lemos nos profetas e na “B'rit Chadashá” (forma hebraica como o Novo Testamento é conhecido no meio judaico):
“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Eterno: na mente, lhe imprimirei a minha lei (Torah), também no coração lhas escreverei; Eu serei o seu D’us, e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:33, Hebreus 8:10).
Nós do Judaísmo Messiânico não aceitamos e rejeitamos a doutrina cristã da “Santíssima Trindade”. Não há base bíblica para tal alegação, além do fato de sua origem ser claramente de influência do paganismo gnóstico-greco-romano que vigorou na época da criação da Igreja Cristã em Roma. Mas esse assunto é tema complexo e poderemos desenvolvê-lo em outro artigo.
Acreditamos que Yeshua foi gerado pelo Eterno com substância Divina, mas é preciso entender que só existe uma fonte de Divindade, apenas um Criador, o D'us e Pai do nosso Senhor Yeshua Ha Mashiach.
Yeshua disse que ele e o Pai eram um, mas que o Pai era maior do que ele. Também disse que recebeu do Pai mandamento do que falar e para quem falar, e não escondeu que tudo o que fazia era fruto do aprendizado que havia adquirido com o Pai.
Yeshua é o representante fiel do Eterno e tem procuração do Pai para representá-lo na terra. E, muito embora tenha esta posição exclusiva diante de D'us, nunca usurpou o ser igual ao Eterno, mas se sujeitou a Ele e foi um exemplo para todos nós.
Ele é a porta para o Reino dos Céus, o portal para a salvação e foi constituído como Senhor de todos aqueles que se aproximam do Eterno.
Um dia Yeshua voltará e reinará em Jerusalém sobre Israel e sobre todas as nações da terra que sobreviverão às tribulações dos últimos dias.
domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
ESCLARECIMENTO
Quem convive ou já conviveu próximo a mim sabe das minhas origens judaicas. Sempre me orgulhei de ser judeu e nunca escondi essa herança, como infelizmente algumas pessoas fazem. Mas também não estou aqui para julgar ninguém!
O que ninguém soube foi que sempre carreguei o conflito: Como conciliar meu Judaísmo com o grande amor e paixão que eu carrego por Jesus Cristo?
Dos meus amigos judeus eu sempre ouvi: “Crer e servir a Jesus é uma afronta ao Judaísmo”, e da parte dos meus líderes cristãos: “ Seguir o Judaísmo é apostasia, é crucificar Jesus pela segunda vez”...e por aí vai!
Mas conheci em São Paulo uma Sinagoga que se intitulava – Judaico Messiânica.
Foi então que descobri que qualquer judeu, crente em Jesus, não precisa deixar de ser judeu e abandonar o “seu Judaísmo” para se filiar a uma igreja cristã!
No momento isso me pareceu muito “estranho”, mas recebi o sábio conselho daquele rabino e comecei a estudar sobre o Judaísmo.
No começo foram estudos tímidos aprendendo o be-a-bá a respeito do Judaísmo Messiânico. A medida em que fui avançando nesses temas fui me apaixonando cada vez mais, até aquele ponto onde a gente para e vê que não tem mais volta!
Não tinha mais volta porque eu já tinha concluído o meu “retorno”. Retorno às minhas origens e dos meus ascendentes que imigraram do Oriente Médio e da Europa após a 1ª Guerra.
Em 2010 eu iniciei o meu processo de Teshuvá – que é o “arrependimento que gera mudança de rumo”. E agora em 2011 eu venho tornar público a todos familiares, parentes, amigos e conhecidos o caminho ao qual eu decidi seguir – o Judaísmo Messiânico.
Sei que a partir de agora vou receber críticas dos meus amigos cristãos, que infelizmente, seja por ignorância ou preguiça mental, mas eles não tem a exata noção do que siginificado de ser judeu; e também, vou receber críticas de amigos judeus, pois da mesma forma ainda não lhes foi revelado Yeshua haMashiach – Jesus, o Messias de Israel!
Sempre fui um cristão atuante, seja no louvor, seja na liderança ou como intercessor de Ministérios de Libertação e cura interior. E justamente o motivo desse esclarecimento público é em respeito aos meus ex-liderados e ex-líderes cristãos a quem, sem citar nomes, quero deixar aqui a minha profunda gratidão e carinho.
Todos vocês foram, e ainda são, muito importante para mim nos meus anos de cristandade. Tivemos muitas experiências juntos. Rimos e choramos. Caímos e nos levantamos. Erramos e aprendemos.
Todos vocês sempre serão lembrados por mim com o mais absoluto carinho, e continuarão sempre em minhas orações e espero continar sempre nas orações de vocês.
Não se esqueçam que sempre estaremos juntos e unidos através do amor e serviço a Jesus.
E, aos meus amigos judeus e meus familiares e parentes, deixo aberto o caminho para que vocês tomem a mesma decisão, com sabedoria e muita oração, e principalmente coragem e ousadia para sair das sombras onde as sociedades “goyim” tentam nos relegar!
Não abandonem a herança de vocês. A herança de serem Filhos de Abrahão; a herança da Torá do Eterno e do sangue de seu filho Yeshua, há Mashiach! Contem comigo!
Shalom Aleichem
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