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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Estratégias Judaico-Messiânicas

Shalom Aleichem

Gostaria de compartilhar com vocês alguns aspectos da nossa fé Messiânica. O objetivo é que vocês conheçam nossos pensamentos, estratégias e formas de “ver” e interpretar o mundo à nossa volta.

Um dos nossos principais objetivos é revelar o Messias Yeshua ao povo de Israel.

Mas quero deixar claro aqui, que não somos missionários para forçar judeus a uma “conversão cristã”. Estamos muito longe disso e, na medida do razoável, condenamos esta prática e não apoiamos grupos que fazem uso dela, como os “Jews for Jesus” (Judeus para Jesus).

Acreditamos que um judeu é sempre um judeu, e assim, o simples fato dele reconhecer e aceitar o testemunho de Yeshua como o Messias de Israel, não significa em hipótese alguma que ele deva mudar de religião ou converter-se a uma igreja cristã.

E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, e disseram-lhe: Bem vês, irmãos, quantos milhares de judeus há que crêem, e todos são zeladores da TORÁ. (Atos 21:20).

O nosso desafio em revelar o Messias Yeshua ao povo judeu é através de uma vida 100% dentro dos propósitos e preceitos judaicos, mostrando que não somos “cristãos”, continuamos a ser judeus e dentro do Judaísmo.

A maioria dos judeus tem a ideia que, ao aceitar o testemunho de Yeshua, ele vai ter que passar por uma conversão e se filiar a uma instituição cristã, sendo “convidado” a renunciar ao seu Judaísmo. Pesa também o fato de o judeu associar o “cristianismo”, seja católico romano ou mesmo protestante, com a idolatria!

O Messiânico (judeu + não judeu) tem o firme compromisso com o estudo, a obediência e o cumprimento da Torah,  e ainda, com a aliança de Abraão e a aliança da graça em Yeshua. Ao contrário da igreja cristã que aceita apenas a Aliança da Graça ou do Novo Testamento.

Temos o compromisso de anunciar a salvação do Eterno a todos os povos, a qual está  fundamentada no sacrifício perfeito do Seu Filho, Yeshua Ha Mashiach.

Yeshua é o “Korban” (oferta pelo pecado) do Eterno, o Cordeiro de D'us, que ofereceu o seu corpo voluntariamente como sacrifício a fim de salvar Israel e, também, pessoas de todas as nações que venham a aceitar o seu testemunho, sendo assim enxertadas na comunidade de Israel, tendo os mesmos direitos (às bençãos bíblicas) e aos mesmo deveres e obrigação desse povo (Torá).

Pode um não judeu participar de uma Congregação/Sinagoga Judaico-Messiânica?

Sim. Nas comunidades messiânicas, os membros “não judeus” vão ser ensinados a respeitar e a observar a Torá do Eterno. Vão ter a oportunidade de estabelecer os preceitos (mitzvot) como referencial do que é certo e do que é errado.

Mesmo as leis que podem soar característicamente “judaicas”, deverão ser respeitadas pelos não judeus, pois foram estabelecidas pelo Eterno e o próprio Messias Yeshua disse que jamais seriam revogadas ou destruídas (Mateus 5:17-19).

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.
Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.”


Contudo a aplicação das Mitzvot não tem a função de “salvação” nem para judeu, nem para não judeu. Mas porque então devemos observar essas leis?

Os Messiânicos aplicam a Torá para trazer qualidade de vida espiritual, consagração e santificação!

O Judaísmo está alicerçado na ideia de que, uma pessoa que vive cercado e protegido pela Torá, também está se protegendo e se afastando de uma vida de pecado.

Cremos que quanto mais Mitzvot da Torá nós colocarmos em nosso coração e em nossas vidas, mais afastados estaremos do pecado que gera maldição, e mais próximos estaremos das bençãos e promessas do Eterno para nossas vidas.

Da mesma forma também cremos que quanto mais uma pessoa se distancia da Torá e deus preceitos, inevitávelmente, mais próxima e mais vulnerável esta pessoa ficará do pecado e de forças que governam este século!

A aplicação dessas leis contudo não são impostas como obrigação para os Messiânicos. A recomendação é que eles apliquem as Mitzvot a fim de terem uma vida espiritual mais consistente e substancial. Tudo na medida em que forem tomando conhecimento e amadurecendo no seu estudo e entendimento da Torá do Eterno.

Mas a Graça anulou a Lei?

Não. E, para que não haja dúvida, vale a pena esclarecer que,  embora a lei e a graça tenham funções distintas, elas interagem, e assim o conceito de que a graça anulou a lei é completamente equivocado e contrário ao ensinamento do Messias Yeshua e a própria Bíblia como um todo.

Embora a salvação brote pela manifestação da graça e da misericórdia de D'us, representados pela morte de Yeshua, é a lei (Torá) que nos concede qualidade de vida, proporcionando-nos muitos livramentos e nos ensinando a andar de forma correta na presença do Eterno.

Como disse o “Rabino Shaul” (é a forma como os Judeus Messiânicos se referem ao Apóstolo Paulo da cristandade): Somos salvos pela graça, por meio da fé (atitude de entrega a D'us, que é acompanhada por um sentimento de profundo arrependimento), para as boas obras (obediência aos mandamentos e a direção do espírito de D'us em nossas vidas) (leia Efésios 2:8-10).

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”

 Em outras palavras, a salvação nos é dada pela graça e, após esta experiência, somos capacitados espiritualmente a termos um padrão bem mais próximo ao requerido pelo Eterno.

Yeshua foi provado e alcançou a aprovação por meio da sua obediência à Torá, correspondendo a expectativa do Eterno ao se sujeitar à Sua vontade, entregando a sua vida como um sacrifício perfeito, para depois retomá-la e se tornar o Senhor da criação, por delegação do Eterno.

O próprio Eterno D’us, o Todo Poderoso, testificou do Messias, dizendo:

 “E, veja! Um som vindo dos céus disse: Este é o Meu Filho querido em quem tenho o prazer de ouvir” (Mateus 17:5 – tradução literal)

 “Sim, Ele (o Eterno) proclamou: Pouco é seres o Meu servo para reerguer as tribos de Jacó, e restaurar os remanescentes (os que foram preservados) de Israel. Também te estabeleci como luz para as nações, para seres (para que através de ti) a Minha salvação até as extremidades da terra” (Isaías 49:6).

Deste modo concluímos, que espera-se de nós após a experiência da salvação, um esforço consciente para obedecer a inclinação do espírito de D’us em nós, que inevitavelmente nos guiará a vivermos segundo os princípios estabelecidos na Torá, como lemos nos profetas e na “B'rit Chadashá” (forma hebraica como o Novo Testamento é conhecido no meio judaico):

“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Eterno: na mente, lhe imprimirei a minha lei (Torah), também no coração lhas escreverei; Eu serei o seu D’us, e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:33, Hebreus 8:10).

Nós do Judaísmo Messiânico não aceitamos e rejeitamos a doutrina cristã da “Santíssima Trindade”. Não há base bíblica para tal alegação, além do fato de sua origem ser claramente de influência do paganismo gnóstico-greco-romano que vigorou na época da criação da Igreja Cristã em Roma. Mas esse assunto é tema complexo e poderemos desenvolvê-lo em outro artigo.

Acreditamos que Yeshua foi gerado pelo Eterno com substância Divina, mas é preciso entender que só existe uma fonte de Divindade, apenas um Criador, o D'us e Pai do nosso Senhor Yeshua Ha Mashiach.

Yeshua disse que ele e o Pai eram um, mas que o Pai era maior do que ele. Também disse que recebeu do Pai mandamento do que falar e para quem falar, e não escondeu que tudo o que fazia era fruto do aprendizado que havia adquirido com o Pai.

Yeshua é o representante fiel do Eterno e tem procuração do Pai para representá-lo na terra. E, muito embora tenha esta posição exclusiva diante de D'us, nunca usurpou o ser igual ao Eterno, mas se sujeitou a Ele e foi um exemplo para todos nós.

Ele é a porta para o Reino dos Céus, o portal para a salvação e foi constituído como Senhor de todos aqueles que se aproximam do Eterno.

Um dia Yeshua voltará e reinará em Jerusalém sobre Israel e sobre todas as nações da terra que sobreviverão às tribulações dos últimos dias. 

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